terça-feira, 16 de novembro de 2010

A praia - episódio III de III

Nota sobre o texto: antes de o lerem, aviso de que contém expressões, ou conteúdos, de natureza sexual!
Ao chegarem à praia, local onde Pedro tinha planeado levá-la, já que aquele tinha sido um lugar visitado várias vezes, anteriormente, enquanto ainda andavam na fase da conquista mútua, para passearem depois do almoço, procurou de imediato estacionar o carro no sítio mais deserto que conseguiu encontrar. O ponto escolhido era meio escondido, distante ainda do acesso principal e aquela praia já tinha conhecido melhores dias em relação aos utilizadores. Eles ficaram um pouco ocultos pelas ervas altas das dunas e já estavam demasiado aquecidos, excitados e loucos para que se pudessem, sequer, arrepender... Maria quase que nem dava tempo a Pedro para desligar o carro e saltou de imediato, em êxtase, para cima dele, para o seu colo! Beijou-o de uma forma tão intensa que lhe permitiu sentir-lhe a língua, muito quente e encarniçada, a invadir-lhe a boca. Enquanto isso, enquanto se deixa controlar por Maria, por baixo do vestido, agarra-a pelas nádegas e puxa-a para ele, para que ela pudesse sentir a força da sua excitação, da sua vontade de a ter, do seu desejo por ela… e foi nesse momento que Maria, ao sentir o apertão respirou de forma mais ofegante! Agarrou-o pelo colarinho da camisa e puxou-o ainda mais para ela para lhe desapertar a camisa, atirando com um botão contra o vidro. É nesse momento que Pedro toca-lhe no sexo, deixando-a ainda mais “tesuda”!
- Hummm… é delicioso poder sentir-te já tão húmida – diz Pedro.
- Toca-me, Pedro, faz-me vir como só tu sabes – implora Maria. No entanto, ele desiste, por momentos, de lhe explorar o sexo porque quis primeiro atacar-lhe as mamas!
- Calma, quero primeiro deliciar-me com o teu corpo incrivelmente belo – diz ele. – Hoje estás deslumbrante! Quero deliciar-me nos teus seios rijos e fartos!

Desabotoa os botões de cima do vestido rapidamente e, mesmo sem lhe desapertar o soutien, tira-lhe os seios para fora, agarra-os e aperta-os. Ela ia gemendo de excitação, de tesão, enquanto ele os beijava, lambia, mordiscava os mamilos e se deliciava com aqueles dois pedaços de carne gelatinosos e voluptuosos. Pedro sabia exactamente como a excitar, com a intensidade e sensibilidade adequadas, não se concentrando apenas nos mamilos e bicos já erectos mas, igualmente, na zona inferior do seio. Maria rodava a cabeça e atirava-a para trás, de tão perversa e excitada que estava. Pedro acompanha estas carícias com beijos! Muitos beijos espalhados com um rasto que assiste a orientação das meiguices e as completa. Nesta altura, já ela lhe tinha tirado o membro duro e latejante para fora das calças e ia fazendo movimentos constantes mas sôfregos e ansiosos de prazer.

Enquanto com uma mão lhe puxa pela nuca até ele, a sua boca até à boca dele, com a outra começa a massajar-lhe o clítoris, alternando de forma deleitosa, lenta e coordenada com movimentos rápidos, directos e decisivos, e ela não demorou nada até se vir num orgasmo duplo, forte, violento, ao sabor dos seus dedos, enquanto estes tinham passado penetrá-la e acariciavam-na em cursos inesperados. Pôde sentir-lhe as contracções no momento em que lhe pressionou, com a palma da mão, o Monte de Vénus e os dois dedos lhe estimulavam directamente no seu ponto G. Maria não perde tempo e, logo de seguida, ajeita-se, enquanto se oferece, para melhor poder encaixar nele. Pedro desloca-lhe as cuecas para o lado e Maria orienta-lhe o membro para ser penetrada! Eis que, finalmente, ele sente-se a entrar dentro dela e solta um suspiro! Numa penetração forte, entra todo dentro dela, sem avisos, num movimento decidido. Ela solta de imediato um gemido, de prazer, não de desconforto, e treme de exaltação. Sente-o entrar completamente, sente-se preenchida, estava louca de desejo e o cenário era excitante; alguém podia vê-los! Mas o desejo sexual falava mais alto.

Ele também a queria, ali, pouco lhe interessava se alguém os pudesse apanhar a quase morrerem de prazer. O seu corpo queria o corpo dela, pedia vivacidade na satisfação do desejo e o seu sexo estava faminto, com uma louca vontade de a comer, de tanto prazer que sentia. Com movimentos vigorosos, entrava e saia de dentro dela, ansiosa e excitada que estava, claro, sentindo-o como se da primeira vez se tratasse, experimentando agora uma penetração mais profunda, embora, de forma ritmada. Finalmente, numa instigação sincronizada, atiram-se para um orgasmo violento! Sentem os corpos explodirem, um gozo provocado por ondas incontroláveis de prazer, que não conseguiam parar, como se quisessem prolongar aquela incrível sensação o mais possível. As suas respirações confundiam-se, aspiravam o ar um do outro, tocavam-se e gritavam como se alimentassem todo o ânimo, com a certeza de que, naquele momento, eram apenas um do outro. Foram das sensações mais intensas, exuberantes e loucas que ambos já puderam sentir nos seus íntimos encontros!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A praia - episódio II de III

Nota sobre o texto: antes de o lerem, aviso de que poderá conter algumas expressões, ou conteúdos, que podem ser considerados de natureza mais sexual!

Já dentro da viatura, seguindo viagem, onde conversavam sobre coisas triviais, tentando disfarçar o óbvio nervosismo e ansiedade comum a ambos, começam a ter a exorbitante percepção de que algo muito bom estaria para acontecer. Aquele não era, certamente, um dos seus encontros normais, igual a tantos outros semanais, um encontro de amantes onde se deliciavam no corpo um do outro e entregavam à luxúria do prazer, do sexo pelo sexo, gostoso, sem tabus, onde se permitiam amar, sem perguntas, sem porquês ou justificações. Talvez alguma fantasia iria ser realizada…

Foi então que, distraidamente, enquanto trocava de velocidade, ao mexer na alavanca, Pedro toca leve e suavemente na perna de Maria! Um toque insidioso que deixou Maria afogueada. Sentiu-a tremer com o estímulo! Ela sentiu-se indefesa, conquistada, como se, por acaso, ainda considerasse a hipótese de lutar para inverter ou contrariar aquela batalha interior, estaria, a partir daquele momento, irremediavelmente perdida, por isso, não mexeu a perna, não a afastou, a deleitar-se no momento. Pedro percebeu essa inquietude! Por essa circunstância, não retirou os dedos que a tocavam, que a instigavam, e, com o seu jeito provocador, matreiro e sedutor, começou desenhar-lhe movimentos meigos, suaves e de toque leve, não desvendando tudo, deixando-a com desejo de mais e mais, onde a mão que, entretanto, ia começando a encorpar-se começa a alimentar-se do seu corpo e da temperatura das suas pernas maravilhosas. Foi explorando a seu belo prazer, como lhe apeteceu, da forma que quis, enquanto os dedos lhe iam tocando na pele nua, um a um, alternando ardilosamente entre um amasso e um arrepio que apenas a ponta de uma unha pode provocar.

A conversa perde algum do seu sentido e nenhum dos dois faz qualquer esforço para a sustentar. Maria começa a ficar inquieta, agitando-se no banco. Mexe os braços, as mãos, arranja o cabelo, toca-se com os dedos no pescoço e humedece os lábios, parecendo deliciada com aquela excitação. Pedro, apesar de mais calmo, já era, naquele momento, incapaz de se renunciar a Maria e, como tal, foi avançando com a mão, com os dedos, a conquistar terreno, e de um simples e leve toque nos joelhos tinha-a já a percorrer-lhe o interior das coxas. Sentia-a quente, cheia de tesão, enquanto ela encostava a cabeça atrás!
A sua vontade era tê-la já ali, naquele momento, queria possuir-lhe o corpo nesse mesmo instante, parecendo-lhe que não conseguiria esperar mas, não, não podia, ainda, ser. Tinha que esperar até chegarem ao destino!

Entretanto, Pedro continuava a descobrir-lhe as pernas cada vez mais quentes e suaves e, sem grandes delongas, fez deslocar a mão por baixo do seu vestido lilás com flores verdes. Pedro pôde sentir-lhe a textura da pele hidratada e suave. Aquela suavidade que só as mulheres têm e que se encontra apenas numa parte específica do seu corpo: na zona interior das coxas. Pedro adora sentir-lhe essa macieza. Maria adora ser tocada nessa zona particular do corpo. Foi então que Maria se sentiu invadida onde mais desejava, por cima do tecido da lingerie, na carne! Também ela, a partir desse momento, deixou de se controlar! Arqueou as costas, encostou a cabeça atrás e virou-a para o vidro. Enquanto soltou um suspiro delicioso, levou um dedo aos lábios, à boca, para, logo de seguida, se despenhar imediatamente em direcção às calças do Pedro. Com impetuosidade, num gesto ardente e fogoso, Maria quis sentir-lhe o sexo, sentir como o seu membro já estava excitado e duro! Desapertou-lhe instantaneamente os botões das calças, de forma violenta, enquanto ele conduzia, e agarrou-o com prazer massajando-o com movimentos firmes e convictos mas saborosos! Sentiu-o, e isso sim a deixou louca, crescer ainda mais nas suas mãos! “Como é possível estar-me a acontecer isto, com tanta intensidade, era uma vontade incontrolável de te possuir, Maria... que tesão louca!”, pensava Pedro, “Por mim, parava já aqui o carro para ir de encontro ao teu corpo onde me pudesse satisfazer...”, continuou ele a pensar.
Foi uma vontade animal, ávida, que nem vale a pena explicar... - Quero-te foder!!! – disse-lhe.

... Continua...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A praia - episódio I de III


Como sempre, como faziam todas as semanas, Pedro e Maria tinham almoço marcado no sítio de sempre. Mas hoje, este dia, ia ser diferente…

Pedro chega atrasado, como era costume, enquanto Maria o espera, sentada, a mexer no telemóvel, talvez na esperança, inútil, de que teria uma justificação, um aviso para o atraso, e ao subir a escada ele olha-a com um outro olhar, diferente, sem dúvida. Maria nota-lhe um anseio, um desejo escrito no rosto que facilmente escoa pelo sorriso malandro.
- Hoje vamos a um outro sítio almoçar, a um outro local – diz com segurança, no entanto, com cauteloso pragmatismo de um amante secreto. – Anda, vamos para o meu carro.
Pedro agarra-lhe no braço e Maria sente-lhe a força, a firmeza de quem sabe o que quer. Gosta disso e sente-se de imediato excitada por aquele transbordar de entusiasmo e dinamismo. - Pedro – pergunta ela - para onde me levas? Onde vamos?
- Calma – responde ele. - Não me perguntes, por favor, não posso dizer, para já, senão perco a coragem para o fazer. É surpresa. Mas acho que vais gostar!

Pedro não tinha pensado num plano, numa forma de o fazer, não o tinha revisto vezes sem conta na sua cabeça onde nada podia falhar. Não! Estava, simplesmente, a ser espontâneo, evitando ser interpelado porque, caso o fosse, não teria respostas para dar. E isso, sem dúvida, abalaria a sua convicção e a confiança que demonstrava ter quando, na realidade, permanecia assustadoramente nervoso e desinquieto.

Foi breve o percurso entre o ponto de encontro e o carro dele. Ao descerem as escadas rolantes Pedro chegou-se a Maria, metendo-lhe o outro braço por trás dela, agarrando-lhe na anca e puxando-a para si, e disse-lhe ao ouvido: “Estás muito bonita! Esse vestido lilás fica-te muito bem.”, “Hummm… e que perfumada!”, e sem hesitar beija-lhe carinhosa, mas, apaixonadamente, o pescoço. Maria, sentiu-se, nesse momento, preenchida dos pés à cabeça por uma enorme excitação ao sentir-se tocada pelos lábios carnudos e pela língua húmida que, em tom de provocação, lhe fez um pequeno desenho na pele. Ficou de tal forma transtornada que Pedro pôde facilmente perceber a dificuldade dela em lidar com toda aquela turbulência de impulsos e desejos que, de repente, a conquistaram! Aquele beijo desconcertante tinha-a deixado à deriva de si mesma e precisava de se recompor mas, no entanto, aquele fogo que sentia no corpo não a deixava reorganizar-se e tinha medo de escorregar até nas suas próprias palavras. Todos os desejos e fantasias que lhe preenchiam a cabeça a possuíam naquele momento, enquanto tentava pôr ordem nos seus pensamentos. Pedro não lhe largara o braço durante o percurso e, chegados ao carro, abriu-lhe a porta. Enquanto Maria entrava no carro, Pedro não foi capaz de ignorar a imagem que lhe ocorreu ao ver grande parte das pernas de Maria, ali, expostas, nuas, parecendo-lhe tão macias e aveludadas. Por momentos, Pedro, enquanto dá a volta ao carro, retira muito prazer desses pensamentos.

Continua...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Tive medo de te tocar...


Entro vagarosamente, tentando esconder os meus ruídos, sem bater...

… a chave estava na porta, tal como disseste que estaria, numa espécie de convite prenunciado para conhecer o teu universo, o teu espaço íntimo, as paredes onde penduras as tristezas da alma. Rodei a chave, ao mesmo tempo que virava a cabeça e olhava para o céu, tentando imaginar como estarias do outro lado da barreira física, do único obstáculo que bloqueava o caminho que me conduzia a ti. Fixei as estrelas que consegui observar nos intervalos das nuvens, talvez, assim, uma espécie de mapa, como se estivesse à procura de um caminho seguro que me levasse até ti.

Entro e conquisto a tua atmosfera onde acredito ser possível conseguir desvendar-te os segredos e amenizar os teus medos. Retiro a chave e coloco-a por dentro da porta, fechando-a, devagar, na escassa esperança de que as dobradiças velhas não denunciem a minha invasão. Fico ali, parado, com o casaco no braço, estranhado por momentos, a admirar, a observar, a contemplar cada canto incrivelmente bem decorado ou preenchido, cada sombra de luz, cada pormenor colorido de bom gosto! Penduro o casaco numa cadeira antiga, revestida de pele gasta, testemunha de muitos acontecimentos, castanha, solitária, abatida pelo tempo, provavelmente utilizada para os últimos aperfeiçoamentos quando abandonas o teu ambiente e te deixas apreciar pelo mundo. No móvel da entrada vejo um papel, um bilhete, escrito por ti e antes de lhe dar atenção olho para o espelho, ajeitando o corpo, tentando encontrar o melhor ângulo proporcionado pelo candeeiro de luz quente, para me antever. Para me sentir bem. Confiante e seguro! No bilhete está escrito: “Sobe as escadas! Aguardo-te no quarto mas se não puderes ficar sai de mansinho, sem deixar marcas, e deixa a chave no lugar…”

À medida que vou subindo as escadas de madeira, sinto-me a entrar no teu labirinto. Cada degrau alcançado faz um som distinto como se fossem teclas de um piano abandonado. Com a mesma segurança com que progrido penso, com convicção assumida, o quanto desejo ocupar os teus espaços vazios. Os teus momentos sós que completariam, seguramente, os meus momentos desacompanhados. Antes de chegar ao quarto começo já a ser invadido pelos cheiros que me são familiares, pelo teu perfume, e paro! Fecho os olhos e inalo esse perfume tentando deliciar-me novamente com a recordação do momento em que o senti, a primeira vez, quando me beijaste na boca. Fiz um quadro dele, quando me invadiu o corpo e arrebatou! É uma deliciosa moldura que fixei na minha memória. Abro os olhos e espreito pela janela antes de avançar para ti. Lá fora, um lago de águas pacíficas reflecte a lua gorda enquanto esta, à medida que a noite vai avançando, se aproxima cada vez mais do horizonte. Abro essa janela para a felicidade, para deixar entrar a frescura da noite. Avanço novamente até que chego finalmente ao quarto. A porta está ligeiramente aberta, deixando escapar alguma luz, empurro-a e entro…

Repousas, ainda, dormindo, semi-tapada no sofá, com as costas voltadas para a lua que vai espreitando o teu corpo! A janela encontra-se aberta porque a noite está quente e abafada! À medida que me vou aproximando tento descobrir-te as tonalidades da pele que apenas o candeeiro da cabeceira abrilhanta. Sento-me no chão do quarto e fico ali, parado, feliz, a sorrir pelo facto de estar, naquele momento, ao teu lado. Levanto o braço e, com a mão, percorro-te, sem te tocar, as costas desnudas e sensuais. Deixo-me estar assim mais um instante, pois desejo prolongar o máximo possível a oportunidade de te ter perto de mim. Mas a paixão que sinto por ti é mais forte e inclino-me para te beijar os ombros! Porque o desejo fazer de uma forma louca e apaixonada!

Sou interrompido no momento em que quase acordas! Não quero que me vejas… tenho vergonha do que possas ver, que desvendes os meus segredos…
Não quero, não consigo, enfrentar o teu olhar! Resta-me a esperança de te poder revisitar numa outra noite… E saio, de mansinho, deixando-te a dormir, agarrado aos meus medos mas com a agradável recordação de ti, deitada na cama, semi-nua, aquela linda imagem a ocupar-me os espaços vazios da memória, deixando a chave no lugar …

sexta-feira, 30 de julho de 2010

As palavras que sempre te direi

 
"Meu Amor,

Se alguma vez um homem sentiu o espírito dissolver-se e o desejo de se fundir com outra pessoa, contigo, então, esse homem, sou eu! Porque motivo isto aconteceu ou assim é, não consigo explicar por palavras. Podes até pensar ou tentar justificar que esta união que temos é desastrosa ou azarenta por mais razões do que te atreves, sequer, a relacionar. Mas não é! É simplesmente a vontade e o desejo comum de duas pessoas que se amam. Que se desejam como uma força magnética impossível de separar! Sei que tinhas uma vida inteira à tua frente que eu sei que destruí irreparavelmente. Perdoa-me, minha querida A…. Não, não perdoes! Não se pode pedir perdão por aquilo que não se lamenta; e eu não posso, como homem apaixonado que sou, como amante que quero ser, lamentar todos estes desejos, todos estes preciosos momentos que me são consentidos passar na tua companhia! Temos uma vida inteira à nossa frente para sermos felizes um com o outro.

Sempre pensei ser o tipo de homem que viveria uma grande e maravilhosa paixão! Um amor interminável! Por ser um homem de emoções, como sou, admito que esses estados não são meras fantasias escritas por pessoas que pretendiam empolar um acto físico, natural, mais do que aconselha a necessidade ou até a prudência. Na verdade, a minha moderação neste assunto, nunca foi um predicado pelo qual me congratulo.

Querida A…., a minha vida, tal como a tua, está completamente atrapalhada e desorganizada desde que percebi que estava perdidamente apaixonado por ti. Desde que começamos com os comentários acutilantes que só nós percebíamos, desde as conversas que iam crescendo em vontade e conteúdo e, também, desde as horas e horas passadas a aguardar notícias tuas. Desde que te vi, recordo-o como se fosse hoje, senti de imediato que queria que fosses minha!

Até aqui a minha vida tinha sido de satisfação pessoal, profissional, de serviço às pessoas e agrado e em ajudar o próximo; mas tudo isso agora é decerto menos do que era. Não é suficiente! Não, nunca mais será suficiente! Como posso explicá-lo a mim mesmo, quanto mais a ti? A ti, que és a luz do meu desejo?

Tenho-me também estimado por desfrutar de um entendimento instintivo das questões físicas, emocionais, quando, de facto, não possuía a mais pequena compreensão. Talvez tenha descoberto contigo o verdadeiro sentido dos sentimentos. Pensei que me conhecia bem – os meus hábitos sempre foram regulares e ordenados – mas hoje descubro que sou um estranho a mim mesmo, um desconhecido. Como eu era plácido e presumido…

Tudo em ti é excepcional para mim, querida A….! Sabes como dar prazer a alguém e a ti própria, qualidade rara nas pessoas. Sinto que teríamos muito a aprender, e a delirar, um com o outro, pois penso que nunca ninguém conseguirá dar tanto um ao outro como o faríamos os dois. Como eu te faria sentir! Talvez essa situação, não saberes o que é sentir isto, não te perturbe muito. Quando uma coisa destas é um facto aceite, não se sabe o que se perde… Talvez até hoje, até eu aparecer na tua vida, não te tenhas apercebido da importância que o prazer de uma mulher tem para um homem! Para mim!

Não deves sentir vergonha do que fazes, A….! Não deves sentir vergonha. Sobretudo daquilo que sentes e desejas por mim. De fazer comigo. E tenha a impressão – na verdade, trata-se de uma das coisas que eu muito admiro em ti – de que não sentirás. Não por isso. Talvez por outras coisas, mas não por isto. Estarei a enganar-me, a desejar o impossível? Acredito, penso sinceramente que não. Creio que deves perceber o que fazes. Ou estarei enganado que só vejo o que o meu coração deseja ver? Desejar e, por conseguinte, acreditar que possuis um entendimento físico que escapa a tantas mulheres durante a vida inteira?

Por vezes penso que tudo isto possa ser imprudente. E perigoso.

Conheci-te e gostei de imediato de ti, meu amor. Fiquei encantado pela tua tranquilidade, a tua paz interior, pela tua ternura. Não sei se consigo escrever sobre isto, querida A.…. Se as palavras ditas ou escritas alguma vez serão suficientes e grandiosas para expressarem aquilo de que eu gostei e gosto em ti! Quero descrever-te a ti, a quem desejo contar tudo, em que circunstâncias me encontro, partilhar todas as experiências diárias e pedir a tua opinião para tudo. Porque isso faz parte do meu desejo de estar contigo numa vida partilhada! Ainda que não fiques comigo não creio que, alguma vez, encontres alguém a quem ames tão profundamente, da forma como me amas a mim. Como eu te amo a ti! Mas sim que gostes de modo alegre, agradável ou confortável.

Ainda que eu encontre alguém, desejo encontrar-te nela. A todos os minutos do dia! E por essa razão, assim como pelo silêncio que carrego no peito, temo encontrar esse alguém. Não me está no sangue comprazer-me na mentira!

Pergunto a mim mesmo porque razão a paixão, tão nobre e deslumbrante sentimento, é, por vezes, tão absolutamente errada? Como pode uma coisa que se sente como autêntica, honesta e pura, que é como devo descrever os teus sentimentos por mim, e declaro que é amor, como o que eu sinto por ti, ser tão feia para causar sofrimento? E, mais intrigante ainda, não ter um desfecho feliz?

Não posso, não consigo, ainda que o quisesse, negar que te desejo conhecer de todas as formas possíveis que um homem deseja conhecer uma mulher! Então porquê… porque é que não é o suficiente? Porquê? Procuro uma resposta racional quando a emoção não é bem-vinda. Procuro uma resposta científica quando a ciência não é desejada.
Será exequível que uma ligação como a que iniciei contigo tenha proveniência numa ciência tão particular? Que tenha os seus próprios fundamentos ou leis? Poderemos um dia detectar essa coisa que cega, chamada paixão, e quantificá-la, poupando-nos assim a este tormento arrebatador?

E, porém, posso ambicionar que assim seja? Posso, na realidade, cobiçar este regozijo, que este segredo seja quantificado e, portanto, domesticado?

Talvez toda esta nossa história não passe de uma doce alucinação, um perigoso delírio que me esgota. Ou talvez não perceba nada do que escreva, mas apenas o que sinto! Porque não sou escritor, sou homem de sentimentos, que ouve os sentimentos, adormecido com a sua própria voz, tão perturbadora, que não deseja ouvir mais nada. Apenas a tua...

Para ti, minha querida A…."


Nota: Esta, ao contrário das outras, não é uma história de ficção. Esta carta de facto existiu. Foi escrita por alguém, e para alguém...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Castelos no ar - Capítulo I


A trovoada atroadora faz-se ouvir, manifestando a sua presença intimidatória lá fora, enquanto os raios poderosos caem na água! Sente-se a vibração, arrastada pelo ar, nas paredes da casa. Daniela e Gonçalo interrompem um beijo fugaz quando, confortavelmente sentados no sofá, quase unidos num abraço, um relâmpago perdido rasgou o céu do lado de lá das janelas da sala seguido de um som rouco, intenso e prolongado.

Era um final de tarde de Outono, intensa e vigorosamente carregado da malfadada humidade, cinzenta no seu arco-íris de cor, fustigada pelo vento que chegava do mar, do Atlântico, e que trazia consigo o sabor salgado característico deste elemento da natureza. O vento chegava com a certeza reveladora, absoluta, do poder que exerce sobre a baía, plantada nas suas encostas, com casas de pedra cinzentas, frias, como se nunca tivessem estado expostas ao calor dourado do sol.

Dentro de uma dessas casas, pintada de cor âmbar e amarela no seu interior e aquecida pelo estalar da lenha seca dentro de uma lareira que ficava no lado oposto às grandes janelas de vidro, Daniela e Gonçalo tinham encontrado o seu refúgio. Pela primeira vez, depois de meses que se foram sucedendo a meses, de sonhos que se foram sucedendo a sonhos, de desespero em desespero, estavam a ver a vida acontecer. A vida de ambos estava, finalmente, a ser escrita em conjunto, como se de uma só história tratasse. A história que ambos tanto desejavam! Sentiam que tinham o mundo na mão! Sentiam que estavam a ver um novo dia amanhecer! Como se um novo luar, diferente, sem dúvida, de tão desejado, estivesse para chegar e o pudessem simplesmente ver em vez de o olhar apenas! Mas não, não era! Era apenas uma ilusão, um castelo no ar…

Gonçalo tinha ido viver para Vigo à procura de paz. Paz e tranquilidade que não encontrava em Braga, sua terra Natal, onde, na sucessão normal dos dias a sua vida andava coberta por uma nuvem cinzenta que, durante vários meses, não se precipitava nem ganhava furor repentino com o objectivo de se transformar numa verdadeira tempestade. A sua casa era das primeiras na cosmopolita zona do Parque das Avenidas, voltada para a baía, um prédio com as fachadas em pedra e enormes janelas de vidro, combinando em estilo e beleza com os restantes edifícios da zona envolvente. Mesmo em frente localiza-se a Marina e o Real Club Náutico de Vigo, com o seu belo edifício azul e branco. Ao lado, as piscinas fazem as delícias de quem as frequenta. A avenida, agora sem trânsito automóvel, com um passeio enorme, em pedra, e belos jardins com relvados cuidadosamente tratados, permite que se possa viver a cidade e aspecto depauperado ou duvidoso é, sem dúvida, aquilo que não se vê naquele pedaço de civilização. Uma das suas actividades preferida é, ao final da tarde, ficar à janela, a meditar profundamente, na mais memorável das experiências, a contemplar o pôr-do-sol, o crepúsculo e a noite a chegar num panorama inigualável, o mar, com as Ilhas Cíes bem lá ao fundo, já em pleno Atlântico mas, ainda assim, suficientemente perto para lhes poder adivinhar as formas., enquanto o astro rei esparge os seus últimos raios de luz. Lentamente os reflexos do astro rei vão desaparecendo no horizonte, criando no céu valsa na luminosidade feérica das cores. Num desses dias, diante de tamanha maravilha, movido por um impulso de admiração exclama: - Oh! Como é belo o pôr-do-sol! - Porque o final da tarde traz em si uma beleza juvenil que a noite, com toda a sua experiência, e o dia, ainda na sua infância, não podem oferecer. – É inigualavelmente belo! – Repete.

Ele, que desde que aqui se instalou, sentia os sonhos serem levados por aquelas águas como se estas, sem perdão, lhe cobrassem o facto de ele se arriscar vertiginosamente pelos seus sentimentos. Sentimentos que eram de ambos, de amor e bem-querer, e que se intensificaram pelo tempo mas, infelizmente, estavam ao sabor das ondas, sem essência, sem a inquietação natural e enfadonho, talvez, ainda magoado pela decisão de Daniela, numa incredulidade, ou, então, inexprimíveis, como se sentisse o corpo transformar-se, liquidificar-se, abrir-se, não desejando nada mais do que um beijo demorado, impregnado de energia!
Raros eram os dias em que Gonçalo não suspirava profundamente como se só um abraço pudesse dar-lhe alento. O tempo começava agora a adoçar-se, a acalmar à medida que os minutos iam, um a um, sendo mandados embora de forma apressada. Mais, até, do que ele compreenderia ou desejava que acontecesse. A luz suavizou-se um pouco e já existem sombras na rua provocadas pelos candeeiros antigos, de ferro, ainda de luz amarela e muito quente, que, entretanto, já tinham sido ligados. Como o calor, também os sonhos são levados pelo sol, pelo mar, pelas ondas, e a cor leva-a o céu. Gonçalo já não sonhava, aqui, e queria acreditar em tudo quanto a vida lhe deixara sem sentido.
No entanto, aquela final de tarde de Outono, deixara-o a novamente a pensa que, se o tempo não passar, era nos braços dela, junto a Daniela, que ele queria ficar…

domingo, 27 de junho de 2010

O paredão


O dia insistia em manter-se quente e abafado! O vento que soprava do Sul trazia ainda o aroma do deserto, seco e com o doce sabor africano. O final de tarde apresentava uma luz típica de um olhar de Verão, deliciosamente pintado pela cor âmbar e rosa do pôr-do-sol. Nesse dia o mar estava incrivelmente calmo, com uma serenidade raramente observada nestas águas do Atlântico.

O paredão, desde o areal até à beira da água, enchia-se de gaivotas e alguns veraneantes que passeavam, desfrutando do encantador crepúsculo que se fazia anunciar. A água, nesta altura específica do ano, raramente sobe acima do meio das escadas de acesso ao mar e a temperatura dificilmente ultrapassa os dezoitos graus centígrados.

Pedro estava algo nervoso e sentia aquele frio na barriga, sensação que já não experienciava há algum tempo, desde a adolescência provavelmente, onde a sua vida, mais do que qualquer outra coisa, se mantinha num estado de interrupção. Observa as aves que fazem voos que mais se assemelham a uma dança assombrada, numa marcha ligeiramente desalinhada, ocasionalmente interrompida por mergulhos no mar na tentativa invisível, mais ou menos discreta, de aproveitar o efeito da liberdade de sustentação provocada pela brisa marítima.

De vez em quando na sua vida, Pedro, lembrava-se desse momento e agora, com 32 anos, recordava com carinho, ternura… e, talvez, ainda, Amor, daquela noite de Verão!

Debruçado sobre o gradeamento do paredão, que lhe segura o corpo, começa a sentir-se inquieto, relutante em permanecer mais tempo naquele espaço que lhe trazia tantas recordações. Afinal, tinha sido lá, naquele local, que se tinha apaixonado aos 15 anos. Talvez a única vez em que se apaixonou… Tinha estado ausente durante vários anos, senão invisível, pelo menos discreto, mantendo-se confortável no seu escrutínio, na sua impossibilidade ou liberdade de observar as pessoas à sua volta, do seu círculo. O seu grande Amor… Naquela altura ele era como uma ilha e apenas tinha sido descoberto por uma rapariga que habitou nele durante algum tempo. Não muito mas o tempo suficiente para criar laços, alguns complexamente carregados de sentimentos contraditórios, contudo, agradáveis pela forma intensa com os viveu.

Com o Sol a aproximar-se cada vez mais do mar, do momento em que ambos se tocam, como um beijo, onde não há força no Universo capaz de contrariar esse noivado que se torna num casamento, num convívio animado, para não dizer estridente, de curta duração mas que se renova a cada novo dia, sente-se incomodado, atormentado, com a capacidade que o mar tem de o hipnotizar. Sempre se sentiu atraído, como uma espécie de necessidade épica, e que parece infinitamente sedutora, tanto que fica, muitas vezes, impaciente com qualquer solicitação que o impeça de contemplar o ocaso e deixar vogar os seus pensamentos pela maré. Mas, mais do que em qualquer outro momento, essa ligação, embora se sinta atordoado pelo reflexo da luz intensa, nunca lhe pareceu tão perfeita! Excepto naquele instante, há 17 anos atrás…