quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A praia - episódio I de III


Como sempre, como faziam todas as semanas, Pedro e Maria tinham almoço marcado no sítio de sempre. Mas hoje, este dia, ia ser diferente…

Pedro chega atrasado, como era costume, enquanto Maria o espera, sentada, a mexer no telemóvel, talvez na esperança, inútil, de que teria uma justificação, um aviso para o atraso, e ao subir a escada ele olha-a com um outro olhar, diferente, sem dúvida. Maria nota-lhe um anseio, um desejo escrito no rosto que facilmente escoa pelo sorriso malandro.
- Hoje vamos a um outro sítio almoçar, a um outro local – diz com segurança, no entanto, com cauteloso pragmatismo de um amante secreto. – Anda, vamos para o meu carro.
Pedro agarra-lhe no braço e Maria sente-lhe a força, a firmeza de quem sabe o que quer. Gosta disso e sente-se de imediato excitada por aquele transbordar de entusiasmo e dinamismo. - Pedro – pergunta ela - para onde me levas? Onde vamos?
- Calma – responde ele. - Não me perguntes, por favor, não posso dizer, para já, senão perco a coragem para o fazer. É surpresa. Mas acho que vais gostar!

Pedro não tinha pensado num plano, numa forma de o fazer, não o tinha revisto vezes sem conta na sua cabeça onde nada podia falhar. Não! Estava, simplesmente, a ser espontâneo, evitando ser interpelado porque, caso o fosse, não teria respostas para dar. E isso, sem dúvida, abalaria a sua convicção e a confiança que demonstrava ter quando, na realidade, permanecia assustadoramente nervoso e desinquieto.

Foi breve o percurso entre o ponto de encontro e o carro dele. Ao descerem as escadas rolantes Pedro chegou-se a Maria, metendo-lhe o outro braço por trás dela, agarrando-lhe na anca e puxando-a para si, e disse-lhe ao ouvido: “Estás muito bonita! Esse vestido lilás fica-te muito bem.”, “Hummm… e que perfumada!”, e sem hesitar beija-lhe carinhosa, mas, apaixonadamente, o pescoço. Maria, sentiu-se, nesse momento, preenchida dos pés à cabeça por uma enorme excitação ao sentir-se tocada pelos lábios carnudos e pela língua húmida que, em tom de provocação, lhe fez um pequeno desenho na pele. Ficou de tal forma transtornada que Pedro pôde facilmente perceber a dificuldade dela em lidar com toda aquela turbulência de impulsos e desejos que, de repente, a conquistaram! Aquele beijo desconcertante tinha-a deixado à deriva de si mesma e precisava de se recompor mas, no entanto, aquele fogo que sentia no corpo não a deixava reorganizar-se e tinha medo de escorregar até nas suas próprias palavras. Todos os desejos e fantasias que lhe preenchiam a cabeça a possuíam naquele momento, enquanto tentava pôr ordem nos seus pensamentos. Pedro não lhe largara o braço durante o percurso e, chegados ao carro, abriu-lhe a porta. Enquanto Maria entrava no carro, Pedro não foi capaz de ignorar a imagem que lhe ocorreu ao ver grande parte das pernas de Maria, ali, expostas, nuas, parecendo-lhe tão macias e aveludadas. Por momentos, Pedro, enquanto dá a volta ao carro, retira muito prazer desses pensamentos.

Continua...

1 comentário:

Anónimo disse...

Muita sensualidade.... Muito bom...